segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Apreciem esta VERGONHA‏

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar,
de Armando Vara, é uma história que, quando
não possa ser explicada pelo mérito (o que,
aparentemente, é regra), tem de ser levada à
conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve
a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma
irresistível vocação de militante socialista, que
para sempre lhe mudaria o destino traçado de
humilde empregado bancário da CGD lá na
terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos
da sua vida ao exaltante trabalho político no PS,
cimentando um currículo de que, todavia, a
nação não conhece, em tantos anos de deputado
ou dirigente político, acto, ideia ou obra que
fique na memória. Culminou tão profícua
carreira com o prestigiado cargo de ministro da
Administração Interna - em cuja pasta
congeminou a genial ideia de transformar as
directorias e as próprias funções do Ministério
em Fundações, de direito privado e dinheiros
públicos. Um ovo de Colombo que, como seria
fácil de prever, conduziria à multiplicação de
despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente
de bem" do costume. Injustamente, a ideia
causou escândalo público, motivou a irritação
de Jorge Sampaio e forçou Guterres a
dispensar os seus dedicados serviços. E assim
acabou - "voluntariamente", como diz o
próprio - a sua fase de dedicação à causa
pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu
guardado lugar de funcionário da CGD, mas
agora promovido por antiguidade ao lugar de
director, com a misteriosa pasta da "segurança".
E assim se manteve um par de anos, até
aparecer também subitamente licenciado em
Relações Qualquer Coisa por uma também
súbita Universidade, entretanto fechada por
ostensiva fraude académica. Poucos dias após
a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado
Vara viu-se promovido - por mérito, certamente,
e por nomeação política, inevitavelmente - ao
lugar de administrador da CGD: assim nasceu
um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí:
ainda não tinha aquecido o lugar no banco
público, e rebentava a barraca do BCP,
proporcionando ao Governo socialista a
extraordinária oportunidade de domesticar o
maior banco privado do país, sem sequer ter de
o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus
escolhidos para a administração, em lugar dos
desacreditados administradores de "sucesso".
A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente
da CGD, que para lá levou dois homens de
confiança sua, entre os quais o sortudo dr.
Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria,
Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim
a meteórica ascensão do dr. Vara na banca
nacional acabou por ser assumida com um
sorriso e um tom "leve". Podia ter acabado aí a
sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem
que ele tenha sido tido ou achado, por pura
sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter
saído da CGD, conseguiu ser promovido ao
escalão máximo de vencimento, no qual
vencerá a sua tão merecida reforma, a seu
tempo. Porque, como explicou fonte da
"instituição" ao jornal "Público", é prática
comum do "grupo" promover todos os seus
administradores-quadros ao escalão máximo
quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por
saber que o banco público, onde os
contribuintes injectaram nos últimos seis meses
mil milhões de euros para, entre outros coisas,
cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr.
comendador Berardo para ele lançar um raide
sobre o BCP, onde se pratica actualmente o
maior spread no crédito à habitação, tem uma
política tão generosa de recompensa aos seus
administradores - mesmo que por lá não
tenham passado mais do que um par de anos.
Ah, se todas as empresas, públicas e privadas,
fossem assim, isto seria verdadeiramente o
paraíso dos trabalhadores! Eu bem tento
sorrir apenas e encarar estas coisas de forma
leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente
deprimido. Penso em tantos e tantos jovens
com carreiras académicas de mérito e esforço,
cujos pais se mataram a trabalhar para lhes
pagar estudos e que hoje concorrem a lugares
de carteiros nos CTT ou de vendedores porta
a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido.
Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo
que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr
contra mim uma acção cível em que me pede
250 000 euros de indemnização por "ofensas
ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o
seguinte: "Quando entra em cena Armando
Vara, fico logo desconfiado por princípio,
porque há muitas coisas no passado político
dele de que sou altamente crítico".
Aparentemente, o queixoso pensa que por
"passado político" eu quis insinuar outras
coisas, que a sua consciência ou o seu invocado
"bom nome" lhe sugerem.
Eu sei que o Código Civil diz que todos têm
direito ao bom nome e que o bom nome se
presume. Mas eu cá continuo a acreditar
noutros valores: o bom nome, para mim, não
se presume, não se apregoa, não se compra,
nem se fabrica em série - ou se tem ou não se
tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo
depois disso, não estou cativo do "bom nome"
do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Miguel Sousa Tavares

Acabei de confirmar no site institucional doBCP.
Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!:

Armando António Martins Vara
Dados pessoais:
Data de nascimento: 27 de Março de 1954
Naturalidade: Vinhais - Bragança
Nacionalidade: Portuguesa
Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração
Executivo
Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008
Mandato em Curso: 2008/2010 Formação e experiência Académica
Formação:
2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)
2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais//article.jhtml?articleID=217516

Extraordinário!... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que
nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS! Conseguiu tirar
uma pós-graduação ANTES da licenciatura...
Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o
mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates...

E viva o BCP e o seu "bom nome"!!!